- FOGO CONTRA FOGO - Fim do 'auxílio emergencial' começa a encolher a economia
Indicadores econômicos para o mês de janeiro já mostram os efeitos do fim do 'auxílio emergencial' sobre o nível de atividade. O índice de vendas no varejo amplo da Getnet indicou queda de 10,9% em relação a dezembro. Todos os segmentos tiveram resultados negativos, com exceção de artigos farmacêuticos.
Em dezembro, havia sido registrado crescimento de 3,5%.
Gustavo Bahia, vice-presidente de Finanças da Getnet, afirma que os dados já haviam apontado uma desaceleração ao longo do quarto trimestre, quando o valor do auxílio emergencial foi reduzido pela metade.
Na época, também já havia a cautela dos consumidores por conta da perspectiva do fim do benefício e o direcionamento dos gastos das famílias para alguns serviços beneficiados pela redução de restrições de mobilidade.
“De outubro para cá, a gente já vinha sinalizando uma desaceleração, na expectativa do encerramento do auxílio. Essa era a principal variável. Em janeiro, você vê uma contração”, afirma Bahia.
“A gente imagina que essa retração vai perdurar. Temos algumas variáveis de incerteza em relação à empregabilidade. O desemprego deve se manter elevado ao longo de 2021. As pessoas tendem a ser mais precavidas, postergando determinados gastos.”
Bahia afirma que a expectativa é um desempenho mais fraco no primeiro trimestre, mas que o avanço da vacinação, o fim das restrições a algumas atividades e uma segunda onda de incentivos fiscais, que já está em discussão no Congresso e no Executivo Federal, devem contribuir para uma retomada no varejo.
De acordo com o economista José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, o indicador diário de atividade da instituição também mostra queda ao longo de janeiro.
Ele destaca os efeitos da evolução da pandemia, com aumento no número de caso e de mortes, o que tem gerado aumento das restrições à mobilidade urbana, afetado o nível de ocupação e renda e, consequentemente, a atividade. Outro ponto é o fim do auxílio emergencial, que foi fundamental para auxiliar na retomada no segundo semestre do ano passado.
“Os sinais eram de que a economia estava mesmo voltando a uma taxa muito forte, com a ocupação crescendo. E eram sinais bastante positivos, mas isso é passado. A partir de janeiro, tem algumas coisas acontecendo que podem desacelerar a economia.”

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